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Sete Anos de Fartura, Sete Anos de Fome

 

   “O Espírito Santo já nos foi dado, a unção já foi liberada sobre nós. Estamos debaixo de um mover de Deus . Aqueles que possuem sensibilidade espiritual percebem que algo está acontecendo no mundo espiritual . Os céus estão carregados de chuva. O Senhor tem plantado em nossos corações uma grande sensibilidade para receber da sua Pala vra e seguirmos o seu mover”

A Igreja ainda está avançando, crescendo e amadurecendo. Nós ainda vivemos caminhando em cima de extremos, uma hora completamente de um lado, outra hora no outro extremo. Podemos ver isso com relação à questão da presença, da unção e da intimidade de Deus. Existem dois extremos nessa questão. Por desconhecerem a plenitude da graça de Deus muitos irmãos têm escolhido um só lado da moeda e não têm desfrutado de tudo aquilo que Deus tem.

Em Davi vemos os dois lados equilibrados. Ele foi chamado de o homem segundo o coração de Deus. Certamente há muitas razões para ser considerado assim por Deus, mas uma delas, e talvez a principal, foi porque Davi amava a presença de Deus e queria ter intimidade com Ele. Davi, ao mesmo tempo em que era alguém envolvido na ministração, era também soldado e guerreiro.

Está completamente fora do nosso padrão a ideia de que alguém possa ser durante o dia um guerreiro implacável e corajoso, e durante a noite um poeta inspirado para cantar ao Senhor. Em nosso estereótipo o soldado é insensível, um brutamonte, mas Davi certamente era um soldado destemido, no entanto, durante a noite podia pegar sua harpa e cantar para Deus. Isso não assusta você?

É inadmissível para nós que um guerreiro possa ser também um poeta, compor salmos e cantar com sensibilidade. Na nossa cabeça é o seguinte: se é soldado, deve ser meio indiferente às coisas do céu. E se é poeta, não deve ser um grande soldado. Não lhe soa estranho um poeta que luta jiu-jitsu? Mas Davi certamente era esse homem.

Davi era esse soldado de dia, mas a noite um adorador poético. Estou falando de dia e de noite, apenas como um recurso de contraste, mas você deve entender que ele era assim o tempo inteiro: um soldado-poetaguerreiro- adorador. As duas coisas caminhavam juntas o tempo todo.

É Davi quem diz: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo! O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!” (Sl 84.1-3.) “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo.” (Sl 27.4.) “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra.” (Sl 73.25.)

Mas, ao mesmo tempo, ele é um soldado. “Ainda que um exército se acampe contra mim, não se atemorizará o meu coração; e, se estourar contra mim a guerra, ainda assim terei confiança.” (Sl 27.3.) “Pois contigo desbarato exércitos, com o meu Deus salto muralhas.” (Sl 18.29.)

Parece incompatível. O mesmo jovem que chega e diz a Golias: “Quem és tu para afrontar os exércitos do Deus vivo?” é aquele que ali toca uma canção para aliviar a alma de Saul. A unção de Deus fluía para derrotar gigantes e para trazer libertação do céu à alma cativa. A sua harpa era uma arma espiritual tão perigosa para o inferno quanto a sua lança. Que equilíbrio!

O mesmo deve acontecer conosco. Mas a nossa tendência é separar as coisas por departamentos. Por um lado, nós temos o pessoal da intimidade, eles são uma bênção, porque eles de fato amam ao Senhor, é indiscutível que eles o amam. Não se importam com os irmãos, nem com a igreja, eles só querem saber do Senhor. Ficam horas, dias, imersos, envolvidos, embriagados, desfrutando do Senhor. Mas isso pode às vezes criar a falsa idéia de que a intimidade com o Senhor é sempre reclusa e isolada.

Todos nós precisamos desenvolver uma medida de atitude contemplativa e piedosa, mas é certo que não precisamos andar tremendo, nem precisamos estar sempre rolando pelo chão. Mas o pessoal da intimidade e da vida profunda não está preocupado conosco, eles, agora mesmo, estão em algum lugar do terceiro céu. Não pense que estou criticando, eles tornam a vida da Igreja mais interessante e até exótica. Mas com certeza vivem em um extremo.

A pergunta que precisamos fazer-lhes é: “Onde estão seus filhos?” Intimidade que não resulta em fecundidade é só emocionalismo. Fecundidade deve estar associada à sua intimidade. Quando falo de intimidade me refiro à intimidade com Deus, e quando falo de fecundidade, estou falando de gerar filhos para Deus. Se a sua intimidade com Deus não resulta em fecundidade, ela é uma intimidade vazia de propósito, é só a Noiva desfrutando do Noivo, mas não tem o propósito de ter filhos, não tem o propósito de cumprir algo maior do coração de Deus. Isso é o que muitos buscam. Davi era desse time e eu também me considero parte desse pessoal. Eu quero ser alguém cheio de fome da presença de Deus.

Do outro lado temos os irmãos que não ligam para a intimidade nem para o desfrute da presença de Deus. Para eles o que interessa é fazer funcionar os princípios da Palavra. Então eles afirmam: “Pastor, está escrito. É assim que é e é assim que vai acontecer”. E o melhor, isso também está correto. É aquela postura de dizer: “Eu não vou esperar sentir coisa alguma e nem vou esperar acontecer nada, apenas vou andar em cima do que está escrito. Se a Palavra de Deus diz que eu tenho autoridade para pisar serpentes e escorpiões, não vou esperar ter um arrepio, eu vou pisar na cabeça do diabo. A Palavra de Deus diz que Ele me deu autoridade para expulsar demônios, assim não vou esperar até alcançar certo nível de intimidade, vou andar de acordo com a Palavra”. Dessa forma temos dois tipos de ênfases, ambas corretas, mas uma muito longe da outra.

O pessoal que apenas segue os princípios da Palavra normalmente é muito técnico e a reunião deles é bem objetiva e não se investe muito tempo ministrando ao Senhor.

Mas não podemos ficar apenas nos princípios de fé, precisamos também ser encharcados da unção do Espírito. É preciso que nossas reuniões estejam permeadas da glória de Deus. Eles não se importam se a reunião está cheia ou não da presença de Deus, para eles o que interessa é fazer algo acontecer. O céu precisa baixar sobre nós e nosso coração deve ser incendiado com o fogo celestial. Precisamos ser como Davi: derrubar a Golias, mas também ter o nosso coração compungido diante do Senhor.

É uma visão. São pessoas de fé, mas não dá para irmos ao culto domingo após domingo e sairmos do jeito que entramos. Você precisa ir e perceber que a glória de Deus está naquele lugar, você precisa ir e ser envolvido por ela.

Por outro lado não adianta ficar o dia inteiro dançando com Jesus. Sabe aquele irmão que dança com Jesus? Ele dança e rodopia. Glória a Deus! Se você quer fazer, faça! Mas se você fica dançando o dia inteiro com Jesus e isso não resulta em nada prático, de que adianta tanta “intimidade” se ela não resulta em liderança, em evangelismo ou na operação de milagres?

Precisamos do equilíbrio. Fomos chamados por Deus para andarmos no equilíbrio desses dois lados. Nós queremos e não vamos abrir mão da presença dele. Nós queremos e não vamos abrir mão de sermos práticos com as coisas do reino de Deus e andarmos em cima das suas promessas.

Como Davi, seremos uma igreja que, ao mesmo tempo, será de soldados e poetas, líderes e cantores, servos pragmáticos e adoradores inspirados, seremos líderes. Ele organizou uma nação, estabeleceu ministros, constituiu valentes e generais em seu Exército. Por outro lado, Davi edificou o tabernáculo de adoração, inventou instrumentos musicais, constituiu cantores para ministrarem continuamente diante de Deus. Estava preocupado em trazer a vitória contra os inimigos ao derredor, mas também tinha um profundo interesse em trazer a arca de Deus para Jerusalém.

Queremos chegar e desafiar cada um para liderar e multiplicar a sua célula, alcançar alvos ousados de crescimento e conquista. Esse é o aspecto de Davi como líder e guerreiro. Queremos chegar aqui e desafiar: precisamos fazer um encontro para milhares, e ver milhares de mãos se levantando como soldados voluntários. Quando houver o desafio para invadir o território inimigo, queremos ver milhares dando um passo à frente como voluntário na guerra. Esse é o Davi que guerreia e não foge do desafio de Golias. Não podemos avançar sem um coração valente como o de Davi.

Mas, não podemos abrir mão do aspecto de Davi representado pela fome de Deus: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?” (Sl 42.1-2.)

É muito bom multiplicar células, constituir líderes e ministros como Davi fez. Estabelecer o reino e o governo de Deus é absolutamente necessário, mas também é fundamental ser como uma corça suspirando por Deus. É esse equilíbrio santo que procuramos. Isso é uma Igreja de vencedores, uma Igreja que faz como fez Davi.

Amar a presença de Deus é um valor absoluto para nós. Algumas vezes os irmãos mais novos vêm apenas para cantar corinho, alguns imaginam que estamos aqui apenas para celebrar uma cerimônia. Quando nos reunimos, queremos que a glória de Deus venha sobre nós. Queremos ver corações quebrantados e contritos, ver gente fortalecida, consolada, confortada e edificada por causa da presença de Deus. Queremos ser como aqueles dois discípulos no caminho de Emaús, que caminhavam com Jesus sem perceberem que era o próprio Jesus quem ia com eles. E enquanto andavam o Senhor foi discorrendo com eles tudo o que os profetas disseram a respeito dele. Vamos ler isso em Lucas: “Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas. Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer. [...] Quando se
aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante. Mas eles o constrangeram dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. E disseram um ao outro: porventura, não nos ardia o coração quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lc 24.13-16, 28-32.)

Quando Jesus pregava o coração das pessoas ardia. Não eram somente os milagres que caracterizavam o ministério do Senhor, mas também o fato de que o coração das pessoas ardia. Aqueles discípulos estavam familiarizados com essa sensação, por isso perceberam que Jesus estava com eles. O coração ardendo é um sinal da presença da glória de Deus.

Se o seu coração tem perdido essa capacidade de ser tocado isso é muito grave. Não importa se é alguém que não conhece muito a Bíblia ou a teologia sistemática. O Senhor é paciente a respeito de tudo isso, mas uma coisa é inadmissível: um discípulo que nunca sinta o coração arder por causa da presença do Espírito de Deus. Mais ainda, é inadmissível que não tenha fome por essa presença, que consiga passar dias, semanas e meses em um ambiente frio e árido sem clamar, como o fez Davi: “Deus, estou suspirando por Ti, onde estás? Como trarei a mim a arca do Senhor? Onde buscarei o fogo da sua presença?” Onde não há esse fogo não se pode dizer que há vida espiritual.

Até mesmo o vazio genuíno é uma atração ao fluir de Deus. Muitos se dizem vazios, mas não estão vazios realmente, estão cheios de outras coisas, os seus corações estão empanturrados de outros prazeres e interesses. O verdadeiro vazio atrai a água. É princípio físico. Quanto mais seco, mais a água será atraída. É uma questão de diferença potencial. O meio menos denso atrai o mais denso. Se houver um vazio que clama por Deus em você, ele será como um ímã atraindo óleo do céu para ser encharcado.

Eu não quero ser assim, eu quero manter o meu coração em Deus. Uma coisa que tenho observado é que não há muitos pastores de grandes ministérios que preservam um coração simples e faminto por Deus. Muitos se tornam executivos celestiais, burocratas do Rei, mas não têm um coração que queima e olhos marejados, ansiando pelo momento de estarem a sós com Ele.

Grandes igrejas se enganam pelo movimento natural das multidões, mas ignoram se o ar está permeado com o cheiro da chuva. Não se deixe enganar pelo barulho e pela movimentação.

Algumas vezes há barulho e presença de Deus, mas às vezes só há barulho mesmo. Bonito, harmonioso, mas só barulho! A quantidade de gente cantando e ministrando, por si só parece que se move. Mas nada disso nos satisfaz. Somente a presença de Deus nos supre.

Devemos ser sensíveis porque pequenos desvios nos fazem errar completamente o destino. Outro dia conversava com um pastor, antigo amigo de ministério. Ele me dizia: “Hoje tenho tudo que um pastor pode querer, muita gente, tenho prosperidade, bênção financeira, tenho um nome reconhecido, tudo muito bom, mas eu não estou feliz!” Eu fiquei curioso para saber o motivo e ele me disse: “Sinto que não estou cumprindo realmente o propósito de Deus para mim. E descobri agora que em algum momento na minha jornada desvieime do rumo. Não foi um desvio grande, como um escândalo ou um Jonas fugindo da vontade do Senhor, foi um ‘desviozinho’ pequeno, mas que no decorrer de uma longa caminhada me desviou do rumo certo”.

Sou formado em agrimensura. Em grandes fazendas os agrimensores precisam tirar grandes linhas de divisa e nesse momento se você erra o ângulo, mesmo que seja alguns décimos de segundo, algo verdadeiramente imperceptível para uma linha de um metro, pode significar um verdadeiro desvio para uma linha de alguns quilômetros. Desvios não têm que ser grandes, desvios podem ser imperceptíveis nos primeiros metros que andamos, mas depois de uma longa jornada nos vemos num lugar onde nunca pensamos chegar, não atingimos o alvo.

Precisamos da sintonia fina do Espírito de Deus. Eu não quero daqui a 20, 30 anos, chegar a ter um grande ministério, mas ter que reconhecer: “Eu não estou feliz, porque não cumpri o propósito de Deus”. Aquele irmão me dizia: “Eu fui chamado para trazer a presença de Deus, mas hoje estou envolvido em tantos bons empreendimentos que perdi a fome de antigamente”. Estou certo, fui chamado para duas coisas: em primeiro lugar fui chamado para levantar e treinar líderes gerando muitos filhos e discípulos. E a segunda coisa para a qual Ele me chamou foi para despertar fome e sede nas pessoas. O Senhor um dia me fez um chamado e Ele me deu essa unção de despertar nas pessoas o anseio por Ele, fome pela sua presença, sede por desfrutar dele.

A maneira de despertar fome é comendo. O que dá mais fome na gente é comer perto de alguém faminto. Sabe quem pode despertar fome no outro? Aquele que está comendo, se deliciando. Tem algo mais agradável do que ficar perto de alguém que come com a boca boa? Existem pessoas que têm esse dom, elas começam a comer ainda que seja algo trivial como arroz com feijão, mas quando colocam na boca, todos se perguntam: “Mas que comida é essa?” A mesma coisa acontece nas coisas espirituais. Que as pessoas, quando nos virem, possam dizer: “Eu também quero ser tão faminto quanto ele, eu quero comer o que ele está comendo, provar do que ele está provando”.

Nesse ponto eu sei que temos algo em comum com Davi. Antes dele não há notícia que alguém tenha matado gigantes, mas, depois dele, muitos dos seus soldados se tornaram matadores de gigantes. Esse é o aspecto de líder e guerreiro. Contudo, além disso, como Davi, queremos cultivar fome pelo Senhor e também despertarmos fome nos demais. Nós somos guerreiros-poetas, heróis-adoradores, soldados-cantores. Eu creio que por causa desse equilíbrio Davi foi chamado de homem segundo o coração de Deus e é para isso que também fomos chamados.

:: Por Pr. Aluízio Antônio
Fonte: Jornal Atos Hoje

 

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